Se pudesse voltaria todos os anos

Escrito por: Fabíola Machado

 

O conteúdo do depoimento é fruto da opinião e da experiência vivida pela autora.

 

Sobre a minha experiência em Cuba:

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malecon

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Acho que a primeira coisa que precisamos levar em consideração, quando colocamos nosso pé naquela ilha caribenha, é o bloqueio econômico imposto pelo governo dos Estados Unidos. Não é possível andar pelas ruas e estradas de Cuba desconsiderando o bloqueio.

 

O bloqueio atrapalha muito a economia cubana e, obviamente, a vida do seu povo. O comércio não é farto; os produtos não chegam rápido às prateleiras; alguns pratos que estão no cardápio dos restaurantes não podem ser servidos, pois falta o ingrediente principal; alguns remédios não são facilmente encontrados (eu precisei de um e só conseguiria indo em hospital, mas nas farmácias ele não estaria disponível); a gasolina não é abundante... enfim, devem ser inúmeros os transtornos causados pelo bloqueio, estes são alguns que eu percebi.

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praça de armas.

Os cubanos devem ser afetados por muitas outras coisas que não tive tempo de notar e também nem devem perceber outras com a intensidade que eu, turista que só conhecia países capitalistas, percebi. Será que eles se incomodam de não ter inúmeras marcas de sabão para lavar roupa, de sabonete, de pasta de dente, e outras coisas?

 

Parece ruim, e é. Sim, o embargo traz sofrimento, o período especial deve ter sido dificílimo. Mas e a vida dos brasileiros nas favelas, no subúrbio é fácil, não tem sofrimento? Muitos brasileiros ficam horas no trânsito, em um transporte público ruim e caro; têm medo de assalto, de bala perdida, do bandido, da milícia; comem veneno ou podem nem conseguir comer comida com veneno, pois alguns voltam a passar fome; enfrentam filas em hospitais e muitas vezes não conseguem atendimento; não têm boas escolas para as crianças; não conseguem ir trabalhar porque tem tiroteio na porta de casa...

 

carro classico.

Difícil é a vida da maioria dos brasileiros. Os cubanos têm dignidade, eles têm tratamento médico, escola, universidade, emprego, comida (e sem veneno!), segurança e moradia (mas este último item ainda precisa melhorar)... Eles podem não ter o conforto e o monte de produtos que alguns brasileiros têm, mas se comparado à maioria dos brasileiros, eles estão bem e bem para caramba!!

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capitólio de cuba.

Bom, já falei do bloqueio, então posso dar as minhas impressões como turista.

 

Havana é linda, uma cidade histórica, preservada (viva a inexistência da especulação imobiliária!) e que vem sendo restaurada desde os anos 2000, então você vai andar por ruas em Habana Vieja e entrar em prédios que em nada perdem para a Europa. Claro que outras ruas não terão o mínimo charme e clamam pelo restauro.

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centro havana

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Você vivenciará Cuba com trilha sonora, pois tem música e dança para todo lado, qualquer restaurante e bar tem artistas tocando. Você poderá conhecer ótimos museus (em qualquer cidade de Cuba! Isso não é mérito da capital!) nos quais você poderá aprender sobre a história de Cuba e apreciar belíssimas obras de artes.

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teatro alissia alonso

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Você poderá beber drinks deliciosos, o que gerou um pequeno transtorno para mim, pois não encontro mais daiquiri aqui como o de Cuba. Sobre a comida não posso falar o mesmo, pois sou vegetariana e não há tantas opções para este público em Cuba, alguns restaurantes tinham que improvisar um prato e sempre vinha muito arroz, o que depois entendi que é porque os cubanos comem arroz aos montes, eles têm consumo per capita de arroz maior que o dos chineses com legumes.

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havana libre

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Sobre as praias acho que nem preciso comentar, é Caribe e isso por si só já fala o que tem que falar.

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Cuba é para andar tranquilamente, curtir um ritmo de vida mais lento (no interior ainda mais); deixar o medo dos assaltos de lado; aproveitar a vista e o pôr do sol; ter a mente aberta para aprender sobre a cultura e a história de Cuba, sobre a resistência e resiliência do povo cubano (fale com os cubanos!!)... para mim foi um lugar para esquecer os problemas e renovar a esperança. Se pudesse voltaria todos os anos, para fazer uma desintoxicação capitalista e me encher da esperança revolucionária de Cuba.

 

E sobre o site Dicas sobre Cuba, foi essencial para a viagem: deixei as páginas com as dicas de passeio de cada lugar abertas no meu celular e ia olhando qual o próximo local que deveria visitar. Foi essencial para não perder o rumo e saber os melhores lugares para ir. A dica sobre a feira de arte no Paseo del Prado aos domingos com oficinas para crianças foi ótima, pois escolhemos ir lá no domingo e não em outro dia e foi lindo ver as crianças tendo aula de desenho na rua, em pleno domingo, uma experiência que mostra o valor que a cultura tem naquele país. E as pessoas por trás do site também são maravilhosas, abertos a ajudar, a conversar e conhecem muito sobre o país e se não sabem algo (eu cheguei com umas questões bem específicas), eles vão atrás e solucionam!

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universidade de havana

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Fabíola é mestre em arquitetura e urbanismo pela Universidade Federal Fluminense.

 

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