Lula, Chico Buarque e Wagner Moura assinam carta no NYT pedindo o fim do bloqueio dos EUA contra Cuba

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Lula, Chico Buarque e Wagner Moura assinam carta no NYT pedindo o fim do bloqueio dos EUA contra Cuba

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o cantor e compositor Chico Buarque, o ator Wagner Moura e mais de 400 ex-chefes de estado, intelectuais e ativistas assinaram uma carta aberta, publicada na edição de hoje, 23/7, do jornal The New York Times, que pede ao presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, o fim do bloqueio econômico aplicado contra Cuba.

A carta “Let Cuba Live” (Deixe Cuba Viver, em tradução) denuncia que, durante a pandemia, a administração de Donald Trump endureceu o embargo, colocando em prática 243 “medidas coercitivas” que intencionalmente estrangularam a vida na ilha e criaram mais sofrimento.

O documento pede o fim das sanções contra Cuba e o inicio de um processo que ponha fim em definitivo do embargo e que resulte na normalização total das relações entre os Estados Unidos e Cuba.

Também assinam a carta nomes internacionais como Jane Fonda, Danny Glover, Mark Ruffalo e o vencedor do prêmio Nobel da Paz, Adolfo Pérez Esquivel, além dos movimentos Black Lives Matter, dos Estados Unidos, e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Assine você também o manifesto internacional pelo fim do bloqueio contra Cuba.

"Deixe Cuba Viver", carta aberta, no jornal The New York Times, 23/7.

Leia em português:

Caro presidente Joe Biden,

É hora de dar um novo rumo às relações EUA-Cuba. Nós, abaixo assinados, estamos fazendo este apelo público e urgente a você para que rejeite as políticas cruéis postas em prática pela Casa Branca de Trump, que tem causado tanto sofrimento entre o povo cubano.

Cuba – um país de onze milhões de habitantes – vive uma crise difícil devido à crescente escassez de alimentos e medicamentos. Protestos recentes chamaram a atenção do mundo para isso. Embora a pandemia Covid-19 tenha se mostrado desafiadora para todos os países, ela tem sido ainda mais difícil para uma pequena ilha sob o peso de um embargo econômico.

Consideramos inescrupuloso, especialmente durante uma pandemia, bloquear intencionalmente as remessas e o uso de Cuba de instituições financeiras globais, visto que o acesso a dólares é necessário para a importação de alimentos e medicamentos.

Quando a pandemia atingiu a ilha, seu povo – e seu governo – perderam bilhões em receitas do turismo internacional que normalmente iriam para o sistema público de saúde, distribuição de alimentos e ajuda econômica.

Durante a pandemia, a administração de Donald Trump endureceu o embargo, colocou de lado a abertura de Obama e colocou em prática 243 “medidas coercitivas” que intencionalmente estrangularam a vida na ilha e criaram mais sofrimento.

A proibição de remessas e o fim dos voos comerciais diretos entre os EUA e Cuba impedem o bem-estar da maioria das famílias cubanas.

“Nós apoiamos o povo cubano”, escreveu você em 12 de julho. Se for esse o caso, pedimos que assine imediatamente uma ordem executiva e anule as 243 “medidas coercitivas” de Trump.

Não há razão para manter a política da Guerra Fria que exigia que os EUA tratassem Cuba como um inimigo existencial em vez de um vizinho. Em vez de manter o caminho traçado por Trump em seus esforços para desfazer a abertura do presidente Obama a Cuba, pedimos que sigam em frente. Retomar a abertura e iniciar o processo de encerramento do embargo. Acabar com a severa escassez de alimentos e medicamentos deve ser a principal prioridade.

Em 23 de junho, a maioria dos estados membros das Nações Unidas votou para pedir aos EUA o fim do embargo. Nos últimos 30 anos, esta tem sido a posição consistente da maioria dos Estados membros. Além disso, sete relatores especiais da ONU escreveram uma carta ao governo dos EUA em abril de 2020 sobre as sanções a Cuba. “Na emergência da pandemia”, escreveram eles, “a falta de vontade do governo dos EUA em suspender as sanções pode levar a um risco maior de sofrimento em Cuba”.

Pedimos que acabem com as “medidas coercitivas” de Trump e retornem à abertura de Obama ou, melhor ainda, iniciem o processo de fim do embargo e normalização total das relações entre os Estados Unidos e Cuba.

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