52 anos do assassinato do maior revolucionário do século: Ernesto (Che) Guevara

“Nas atuais condições históricas da América Latina, a burguesia nacional não pode liderar a luta anti feudal e anti-imperialista. A experiência mostra que em nossas nações essa classe, mesmo quando seus interesses são contraditórios aos do imperialismo ianque, não conseguiu enfrentá-lo, paralisada pelo medo da revolução social e assustada pelo clamor das massas exploradas”.

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Jovem Che Guevara em uma sacada em Buenos Aires, 1948. Foto: arquivo Clarín

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A frase proferida por Che Guevara evidencia seu ceticismo em relação às correntes teóricas de esquerda que pressupunham a aliança entre trabalhadores e a chamada "burguesia nacional" como fórmula mais eficaz de combate ao capitalismo predatório e exploração imperialista dos países subdesenvolvidos da América Latina, assim como, evidentemente, seu espírito fortemente revolucionário.

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Antes de encontrar Fidel e Raul Castro no México e passar a integrar o Movimento Revolucionário 26 de Julho, Che dedicou anos de sua vida percorrendo a América Latina e tratando de aprimorar sua compreensão acerca das estruturas sociais e das causas do subdesenvolvimento da região. 

 

Originalmente estudante de medicina na Argentina, Ernesto Guevara de la Serna converteu-se no revolucionário mais conhecido mundialmente do século XX.  O início de sua trajetória ocorreu na Guatemala, em 1954, quando participou da luta contra o golpe apoiado pelos Estados Unidos que derrubou o presidente Jacobo Arbenz.

 

Os anos mais icônicos de sua carreira como guerrilheiro se passam em Cuba, após a adesão ao Movimento Revolucionário 26 de Julho. Apesar de diagnosticado como asmático, a força de vontade e a inteligência de Che propeliram a sua promoção como um dos líderes das colunas revolucionárias. Foi Che quem comandou a coluna que triunfou na batalha decisiva de Santa Clara na derrubada do ditador Fulgencio Batista, em dezembro de 1958. O episódio é um dos mais famosos do processo de Revolução, pois a coluna comandada por Che descarrilhou um trem do exército que continha armamentos e munição essenciais para garantir a vitória dos revolucionários.

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Trem blindado descarrilhado pela coluna de Che. Hoje exposto e transformado em museu em Santa Clara.

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Após a vitória da Revolução ainda ocupou cargos do alto escalão do governo (mesmo possuindo nacionalidade argentina), como Ministro da Indústria e presidente do Banco Nacional de Cuba.

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Che conversando com Simone de Beauvoir e Jean Paul Sartre. Foto: arquivo Clarín

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Seu ímpeto de combater o imperialismo o levou a deixar o relativo conforto da carreira política e percorrer o mundo disseminando a Revolução. Assim, ele esteve no Congo, em 1965, oferecendo seus conhecimentos estratégicos e táticos em luta de guerrilha, e na Bolívia, onde seria vítima de uma emboscada patrocinada pela CIA que causaria sua morte precoce.

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Mausoléu de Che Guevara em Santa Clara.

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Há exatos 52 anos (09 de outubro de 1967), o assassinato que pôs fim a sua existência física, muito longe de ofuscar seus feitos, o converteu em um mártir da Revolução e em símbolo de esperança para as futuras gerações. Por todo o mundo sua imagem permanece como um bastião do pensamento de esquerda, da rebeldia e do anti-imperialismo, afinal conforme a famosa enunciação de Che em discurso:

“Podrán morir las personas, pero jamás sus ideas.”

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